Levantamento mostra uma disputa regionalizada entre os dois principais candidatos; cálculo baseado no eleitorado dos estados não representa uma projeção do resultado nacional
A nova pesquisa Datafolha mostra um cenário diferente entre os principais colégios eleitorais do país na disputa pela Presidência da República.
O levantamento analisou as intenções de voto em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal. Juntos, esses locais concentram cerca de 72,8 milhões de eleitores, aproximadamente 45,9% do eleitorado brasileiro.
Quando os percentuais registrados pelo instituto são aplicados ao número de eleitores de cada unidade da Federação, chega se a uma diferença estimada de aproximadamente 2,14 milhões de votos entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nesses cinco locais.
É importante destacar que essa conta não representa uma previsão do resultado das eleições. Ela é apenas uma forma de dimensionar, em números absolutos, o que os percentuais da pesquisa significariam caso fossem reproduzidos proporcionalmente pelo eleitorado de cada estado.
Um mapa eleitoral dividido
Os números mostram diferenças expressivas entre as regiões.
Em São Paulo, que possui o maior eleitorado do país, Lula aparece com 38% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 39%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Em Minas Gerais, Lula aparece com 42%, contra 36% de Flávio Bolsonaro. A margem de erro é de três pontos.
No Rio de Janeiro, o cenário se inverte. Flávio registra 45%, enquanto Lula aparece com 38%, também com margem de erro de três pontos.
Em Pernambuco, Lula apresenta uma vantagem mais ampla, com 61% das intenções de voto contra 25% de Flávio Bolsonaro.
Já no Distrito Federal, Flávio aparece com 44%, enquanto Lula registra 35%.
O que a conta dos votos mostra e o que ela não mostra
A transformação dos percentuais em números absolutos ajuda a visualizar o peso eleitoral de cada estado. São Paulo, por exemplo, possui um eleitorado muito maior do que Pernambuco. Dessa forma, uma diferença percentual semelhante pode representar quantidades muito diferentes de votos.
No cálculo realizado a partir dos dados da pesquisa e do eleitorado utilizado como referência, Lula chegaria a aproximadamente 29,92 milhões de votos nos cinco estados, enquanto Flávio Bolsonaro teria cerca de 27,78 milhões. A diferença seria de aproximadamente 2,14 milhões de votos.
Mas existe uma ressalva fundamental: pesquisa eleitoral não é contagem de votos.
Margem de erro, abstenção, comparecimento, votos brancos e nulos, mudanças de intenção de voto e comportamento do eleitorado até o dia da votação podem alterar o resultado efetivo.
Por isso, os números devem ser interpretados como um retrato estatístico do período em que a pesquisa foi realizada, e não como antecipação do resultado das urnas.
Por que os números estaduais importam?
A fotografia apresentada pelo Datafolha evidencia uma característica importante da eleição de 2026: o comportamento do eleitorado não é uniforme em todo o país.
Enquanto Lula apresenta vantagem em Minas Gerais e principalmente em Pernambuco, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. São Paulo apresenta um cenário de proximidade entre os dois candidatos.
Essa diferença regional ajuda a explicar por que a análise de uma eleição presidencial não pode se limitar a um único percentual nacional.
Mais do que apontar um vencedor antecipadamente, os dados permitem observar onde estão as maiores concentrações de eleitores e como diferentes regiões estão respondendo à disputa presidencial.
Para o eleitor, a informação mais importante é que pesquisas são instrumentos para compreender o cenário e não substitutos da decisão tomada nas urnas.
Os números mudam. A pesquisa tem margem de erro. O eleitorado decide.









