Sophia Barclay, candidata a deputada federal pelo PL em São Paulo, é alvo de repercussão após registros de benefícios sociais; capturas de tela também mostram divulgação de conteúdo pago em plataforma voltada a maiores de 18 anos.
Candidata critica Bolsa Família, mas aparece como beneficiária
Sophia Barclay, candidata a deputada federal por São Paulo pelo Partido Liberal (PL), ganhou repercussão após uma reportagem do UOL mostrar que seu nome aparece no Portal da Transparência como beneficiário de programas de assistência social desde 2018. Segundo os dados citados pelo UOL, os pagamentos registrados somam R$ 27.024,23 e incluem Bolsa Família, Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil e Gás do Povo.
Barclay se apresenta nas redes como uma voz de direita e passou a intensificar críticas a programas sociais. Ao comentar a repercussão dos registros, a candidata afirmou que viveu um período de vulnerabilidade após ser expulsa de casa na adolescência por ser uma pessoa trans. Sua assessoria também afirmou que o nome dela teria permanecido vinculado ao CadÚnico de um familiar, o que poderia explicar registros posteriores de pagamentos.
Capturas de tela mostram divulgação de conteúdo na Privacy
Além da controvérsia envolvendo os benefícios, capturas de tela fornecidas à reportagem mostram publicações atribuídas ao perfil identificado como “barcllay” divulgando um endereço da plataforma Privacy. Em uma das imagens, a publicação convida os seguidores a “assistir” aos chamados “conteúdos proibidos” e apresenta um link da Privacy associado ao perfil.
A Privacy é uma plataforma de monetização de conteúdo em que criadores podem oferecer materiais exclusivos mediante assinatura ou pagamento. A própria plataforma informa que seu serviço é destinado exclusivamente a maiores de 18 anos e prevê a venda de mídias pagas, além de regras específicas para conteúdos sexuais. Por isso, as capturas indicam a divulgação de conteúdo adulto ou sensual pago. As imagens, por si só, não permitem afirmar qual material é disponibilizado no perfil nem qual é a natureza exata do conteúdo vendido.

Captura de tela atribuída ao perfil “barcllay”, com publicação que divulga conteúdo e faz referência à Privacy.

Segunda captura mostra o convite para acessar “conteúdos proibidos” e o link para um perfil na Privacy.
O que as imagens comprovam — e o que não comprovam
As capturas registram a divulgação de um perfil na Privacy e a oferta de acesso a conteúdo descrito na publicação como “proibido”. Como a plataforma aceita diferentes modalidades de conteúdo de criadores, não é possível, apenas a partir das imagens, determinar o teor específico de todo o material disponível na conta. A caracterização como criadora de conteúdo adulto decorre, portanto, da combinação entre a publicidade mostrada nas capturas e as características e regras da própria plataforma.
Quanto é possível ganhar com a Privacy?
Há, porém, uma questão que permanece sem resposta: qual teria sido a renda obtida por Barclay com a atividade na Privacy? As capturas de tela não informam número de assinantes, preço de assinatura, vendas avulsas ou qualquer outro dado que permita calcular quanto a candidata teria faturado na plataforma. Portanto, não é possível afirmar, com base nas imagens disponíveis, que ela tenha recebido um determinado valor.
A pergunta ganha relevância quando colocada ao lado das regras do Bolsa Família. Atualmente, a linha de pobreza usada para ingresso no programa é de R$ 218 de renda familiar por pessoa. Em outras palavras, para uma família ser elegível ao benefício, a renda mensal por integrante deve estar dentro desse limite. O governo também possui uma Regra de Proteção: famílias que já recebem o Bolsa Família podem permanecer temporariamente no programa mesmo após a renda superar R$ 218 por pessoa, desde que não ultrapasse R$ 706 por pessoa, conforme as regras vigentes para as novas entradas na proteção. (Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.)
Isso não significa, por si só, que a existência de uma conta na Privacy prove que Barclay tenha ultrapassado esses limites de renda quando recebeu os benefícios. A elegibilidade é calculada sobre a renda familiar per capita e depende do período e da situação cadastral. Também não há, nas capturas apresentadas, informação suficiente para estimar quanto ela efetivamente faturou com a plataforma.
A pergunta que fica é: quanto será que ela faturou na Privacy durante o período em que também constava como beneficiária de programas sociais?
Repercussão política
O episódio ocorre em meio à pré-campanha de Barclay, que deixou o Novo e se aproximou do PL para apoiar Flávio Bolsonaro. Nas redes, ela se identifica como uma mulher trans de direita e faz críticas frequentes ao governo Lula e a programas de transferência de renda.
A reportagem do UOL informou que Barclay reconheceu ter recebido auxílio em um período de vulnerabilidade, mas contestou a interpretação de que teria mantido o benefício de forma indevida. A assessoria da candidata atribuiu registros posteriores à permanência do nome no CadÚnico de familiar e disse que a situação está sendo apurada.
Nota de transparência
A informação sobre os benefícios sociais foi baseada na reportagem publicada pelo UOL em 19 de agosto de 2026 e nos registros do Portal da Transparência mencionados pela publicação. A informação sobre a divulgação de conteúdo na Privacy foi baseada nas capturas de tela fornecidas para esta matéria. As imagens devem ser mantidas com a identificação de que são capturas de tela e não constituem, isoladamente, verificação independente da titularidade ou do conteúdo integral do perfil.
Fontes: UOL Notícias, reportagem de 19/08/2026 sobre Sophia Barclay e os benefícios sociais; Termos de Uso e materiais institucionais da Privacy; capturas de tela fornecidas à reportagem.Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (regras vigentes do Bolsa Família e Regra de Proteção).








