Enquanto enfrenta uma condenação de quatro anos e dois meses de prisão no Brasil, Eduardo Bolsonaro recebeu do governo de Donald Trump o direito de permanecer legalmente nos Estados Unidos por tempo indeterminado.
O ex-deputado federal obteve o Green Card, documento que garante residência permanente em território norte-americano e permite ao estrangeiro viver, trabalhar e estudar no país sem depender de autorizações temporárias.
A concessão ocorre poucas semanas depois de Eduardo Bolsonaro ter sido condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo. Segundo a decisão, o ex-deputado atuou nos Estados Unidos para pressionar autoridades e buscar medidas contra o Brasil com o objetivo de interferir no processo envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A condenação fixou pena de quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto. Eduardo também foi declarado inelegível e perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal. A decisão ainda está sujeita às medidas previstas no processo judicial.
A nova situação migratória cria um contraste político difícil de ignorar: no Brasil, Eduardo foi responsabilizado pela Justiça por uma atuação considerada criminosa contra instituições e autoridades brasileiras; nos Estados Unidos, recebeu autorização para estabelecer residência permanente.
O ex-deputado vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Durante esse período, passou a atuar diretamente no cenário político norte-americano, defendendo medidas de pressão contra o Brasil e buscando apoio do governo Trump em questões relacionadas aos processos judiciais contra seu pai.
Eduardo afirma que deixou o Brasil por considerar que é vítima de perseguição política. A Justiça brasileira, entretanto, entendeu que sua atuação no exterior ultrapassou os limites da atividade política e configurou tentativa de interferência no andamento de um processo judicial.
O Green Card não transforma Eduardo Bolsonaro em cidadão norte-americano. O documento garante residência permanente, mas não concede automaticamente cidadania ou direito de voto nos Estados Unidos.
A decisão do governo Trump, no entanto, tem um peso que vai além da questão migratória. Ela ocorre em meio a uma relação política próxima entre a família Bolsonaro e o atual presidente norte-americano, além de um período marcado por disputas diplomáticas e medidas de pressão dos Estados Unidos contra o Brasil.
No fim, a história expõe uma contradição que dificilmente passa despercebida: condenado pela Justiça brasileira por uma atuação que, segundo o STF, buscou pressionar o próprio país a partir do exterior, Eduardo Bolsonaro agora consolida sua permanência justamente no território estrangeiro onde essa articulação teria ocorrido.










