O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (7), nos Estados Unidos, que defende o cancelamento das tarifas de 25% propostas sobre produtos brasileiros, em vez do adiamento da medida. A declaração ocorre poucos dias após o parlamentar encaminhar uma carta às autoridades americanas solicitando que a taxação fosse suspensa por 90 dias.
Flávio participou do segundo e último dia da audiência promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação comercial aberta contra o Brasil e pela recomendação da tarifa, prevista para entrar em vigor em 15 de julho.
Questionado por jornalistas após a sessão, o senador afirmou que sua posição apresentada durante a audiência foi favorável ao cancelamento da medida. Ao mesmo tempo, atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a responsabilidade política pelo cenário que levou ao avanço da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.
“Quem quer a tarifa é o Lula, então a gente tem que usar os argumentos políticos aqui. [Quero] Cancelamento, eu não quero tarifa para o Brasil, só quem quer tarifa é o Lula”, declarou.
Durante os cinco minutos reservados para sua manifestação, Flávio voltou a defender que a imposição de novas barreiras comerciais antes das eleições brasileiras não favorece um ambiente de estabilidade nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Segundo o senador, a medida transfere custos para a sociedade e para o setor produtivo, enquanto os responsáveis pelas decisões políticas não sofrem diretamente seus efeitos.
“Impor tarifas antes das eleições não é bom.”
Na mesma fala, o parlamentar afirmou que “as tarifas de 25% penalizam todo o povo brasileiro, exceto justamente as autoridades responsáveis por essas decisões”.
A participação de Flávio ocorreu após o envio de um documento de 86 páginas às autoridades americanas na última semana. No material, o senador solicitou a suspensão do tarifaço e também defendeu que o Pix não seja incluído na disputa comercial entre os dois países.
Ao tratar do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, Flávio argumentou que o Pix ampliou a inclusão financeira e contribuiu para a formalização da economia, sem representar prejuízo às empresas americanas que atuam no setor de meios de pagamento.
“O Pix não é um problema a ser corrigido. É uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao trazer milhões de brasileiros, especialmente os mais pobres, para a economia formal. Esse avanço também beneficiou diretamente empresas americanas, já que o volume de transações processadas por cartões de pagamento emitidos por bandeiras dos Estados Unidos continuou crescendo paralelamente à ampla adoção do Pix, uma vez que essas empresas prestam serviços que se complementam, e não competem com o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos”, afirmou.
A audiência promovida pelo USTR integra a investigação comercial aberta pelo governo dos Estados Unidos para avaliar práticas brasileiras. A eventual entrada em vigor da tarifa de 25% continua prevista para 15 de julho, enquanto representantes dos dois países apresentam argumentos e manifestações sobre os impactos da medida nas relações comerciais bilaterais.









