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Marcha para Jesus registra queda de público e evangélicos criticam politização da fé

A presença de lideranças políticas na Marcha para Jesus voltou a gerar debate entre participantes do evento realizado em São Paulo. Em entrevistas feitas durante a marcha, evangélicos demonstraram incômodo com a associação cada vez mais frequente entre religião e disputas partidárias, defendendo que a igreja mantenha sua independência e que os fiéis evitem transformar políticos em figuras de devoção.

A discussão ocorre em um momento em que a Marcha para Jesus tem sido cada vez mais frequentada por autoridades e pré-candidatos. Na edição deste ano, estiveram presentes nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes, o senador Flávio Bolsonaro e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

Um dos entrevistados, o taxista Álvaro, afirmou que vê com preocupação a tendência de parte das igrejas adotarem posicionamentos políticos rígidos.

“Esse político é de estimação, aquele não pode. A igreja acaba tomando um lado, e isso é ruim”, afirmou.

Segundo ele, nem políticos de esquerda são necessariamente ruins, nem políticos de direita são necessariamente bons, sendo necessário analisar cada caso individualmente. Para Álvaro, os cristãos deveriam focar mais na defesa de princípios e menos na defesa incondicional de lideranças políticas.

“A gente tem que se unir para defender os nossos direitos, mas não ficar defendendo político A ou político B.”

Outro participante entrevistado também criticou a presença constante de políticos em eventos religiosos. Para ele, o poder político e o poder religioso deveriam permanecer em esferas distintas.

“Eu acredito que o poder político é uma coisa e o poder eclesiástico é outra.”

Questionado sobre discursos que apresentam a política como uma espécie de “guerra espiritual”, o participante discordou dessa visão e ressaltou que o Brasil é um Estado laico, defendendo a convivência respeitosa entre pessoas de diferentes crenças, ideologias e modos de vida.

“O Evangelho é isso: amor, respeito. Nós temos que aprender e multiplicar isso, independentemente de cor, raça, credo, religião ou ideologia.”

Público menor e debate sobre os rumos do evento

A edição de 2026 da Marcha para Jesus reuniu cerca de 33,8 mil pessoas em seu pico de concentração, segundo estimativa do Monitor do Debate Político do Cebrap/USP em parceria com a ONG More in Common. O levantamento utilizou imagens aéreas e inteligência artificial para realizar a contagem dos participantes.

Embora os organizadores destaquem que o evento continua mobilizando milhares de caravanas e participantes, o número reacendeu discussões sobre os rumos da marcha e sobre o espaço cada vez maior ocupado por discursos políticos dentro de uma manifestação tradicionalmente religiosa.

As entrevistas realizadas durante o evento indicam que parte dos participantes prefere uma igreja mais independente de disputas partidárias e menos vinculada a lideranças políticas específicas. Em comum, os entrevistados defenderam que a fé cristã esteja mais associada a valores como respeito, convivência e solidariedade do que à polarização política.

Para eles, seguir Jesus não deveria exigir alinhamento automático a nenhum partido, ideologia ou político.

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